4) A questão do divórcio
Mateus 19:1-12
1 Tendo acabado de dizer essas
coisas, Jesus saiu da Galiléia e foi para a região da Judéia, no outro lado do Jordão.
2 Grandes multidões o seguiam, e
ele as curou ali.
3 Alguns fariseus aproximaram-se
dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: "É permitido ao homem
divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? "
4 Ele respondeu: "Vocês não
leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’
5 e disse: ‘Por essa razão, o
homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só
carne’?
6 Assim, eles já não são dois, mas
sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe".
7 Perguntaram eles: "Então,
por que Moisés mandou dar uma certidão de
divórcio à mulher e mandá-la embora? "
8 Jesus respondeu: "Moisés
lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de
vocês. Mas não foi assim desde o princípio.
9 Eu lhes digo que todo aquele que
se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra
mulher, estará cometendo adultério".
10 Os discípulos lhe disseram:
"Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não
casar".
11 Jesus respondeu: "Nem todos
têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado.
12 Alguns são eunucos porque
nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram
eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite".
Explicação
Mt 19:1
no
outro lado do Jordão.
O lado leste, posteriormente chamado Transjordânia ou Pereia e hoje
simplesmente Jordânia. Jesus agora começara a ministrar ali.
Mt 19:3
por
qualquer motivo?
Essa última parte da pergunta não se acha no texto correspondente de Mc 10:2.
Mateus a incluiu possivelmente porque escrevia a judeus com conhecimento da
disputa entres as escolas de Shamai e de Hilel no tocante à interpretação de Dt
24:1-4. Shamai sustentava que “algo que ele reprova” significava “infidelidade
conjugal” – o único motivo permissível para o divórcio. Hilel (c. 60 a.C.-10
d.C.) ressaltava o elemento anterior: “e depois não a quiser mais”. Permitiria que
o homem se divorciasse da esposa caso ela fizesse qualquer coisa de que ele não
gostasse – até mesmo se deixasse a comida queimar na cozinha. Jesus claramente
da seu apoio a Shamai (v. 9), mas somente depois de relembrar o ideal
originário do casamento, segundo a definição dada por Deus em Gn 1:27; 2:24.
Mt 19:10-12
v. 1Co 7:7-8,26,32-35.
Mt 19:11
esta
palavra.
A conclusão dos discípulos no v. 10: “é melhor não casar”. Nem todos conseguem
aceitar esse ensino porque não é para todos. Nos v. 12, então, Jesus passa a
oferecer 3 exemplos de pessoas às quais o ensino se aplicaria.
Mt 19:12
se
fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Os que
voluntariamente adotaram um estilo de vida celibatário para se dedicar mais
completamente à obra de Deus. Em certas circunstâncias, o celibato é
recomendado nas Escrituras (cf. 1Co 7:25-38), mas jamais apresentado como
superior ao casamento.
Marcos 10:1-12
1 Então Jesus saiu dali e foi para a região da
Judéia e para o outro lado do Jordão. Novamente uma multidão veio a
ele e, segundo o seu costume, ele a ensinava.
2 Alguns fariseus aproximaram-se
dele para pô-lo à prova, perguntando: "É permitido ao homem divorciar-se
de sua mulher? "
3 "O que Moisés lhes ordenou? ", perguntou
ele.
4 Eles disseram: "Moisés
permitiu que o homem desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora".
5 Respondeu Jesus: "Moisés
escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês.
6 Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’.
7 ‘Por esta razão, o homem deixará
pai e mãe e se unirá à sua mulher,
8 e os dois se tornarão uma só
carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne.
9 Portanto, o que Deus uniu,
ninguém o separe".
10 Quando estava em casa novamente,
os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto.
11 Ele respondeu: "Todo aquele
que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo
adultério contra ela.
12 E se ela se divorciar de seu
marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério".
Explicação
Mc
10:1
região da Judeia.
O equivalente grego e romano da Judá do AT, essencialmente a parte sul da
Palestina (que agora exclui a Idumeia), a qual tinha antes sido o Reino do Sul.
Quanto ao ministério de Jesus na Judéia, v. Lc 9:51.
Jordão.
A viagem de Jesus levou-o de Cafarnaum ao sul, atravessando as montanhas da
Samaria até a Judeia, e depois a leste, pelo Jordão, para dentro da Pereia, já
em território de Herodes Antipas.
Mc
10:2
aproximaram-se dele para pô-lo
a prova. A pergunta dos fariseus era hostil. João Batista
denunciara Herodes Antipas e Herodias pelo divórcio ilícito (v. 6:17-18) e, por
ter feito essa repreensão, foi lançado no cárcere e depois decapitado. Jesus,
agora, estava dentro da jurisdição de Herodes, e os fariseus talvez tenham
esperado que a resposta de Jesus levasse o tetrarca a prendê-lo, assim como
prendera João Batista.
É permitido [...]
divorciar-se de sua mulher? Os judeus daqueles dias
em geral concordavam que o divórcio era ilícito; a única questão em detalhe era
quais justificativas eram apropriadas.
Mc
10:5
por causa da dureza do
coração de vocês. O divórcio era uma
exceção de ajuste à fraqueza humana, sendo usado para impor ordem numa
sociedade que desrespeitava a vontade de Deus, sem ser, porém o padrão
tencionado por Deus desde o início, como mostra com clareza os v. 6-9. O propósito
de Dt 24:1 não era tornar o divórcio aceitável, mas reduzir suas consequências
cruéis.
Mc
10:6
no princípio da criação.
Jesus volta ao momento anterior ao pecado humano para demonstrar a intensão
primeira de Deus. Deus instituiu o casamento como grande bênção unificante, a
agregar num só, na criação, homem e mulher.
Mc
10:8
já não são dois, mas sim uma
só carne. A dedução feita por Jesus afirma o ideal da
permanência do casamento.
Mc
10:9
Portanto, o que Deus uniu.
Jesus fundamenta a santidade do casamento na autoridade do próprio Deus, e a
proibição que faz do divórcio é uma salvaguarda contra o egoísmo humano, que
sempre ameaça a destruir o casamento.
Mc
10:11
Todo aquele que se divorciar
de sua mulher. Na prática judaica, o divórcio era levada a
efeito pelo próprio marido, não por autoridade jurídica ou por tribunal.
estará cometendo adultério
contra ela. A simples declaração de divórcio por parte
do marido não o isenta da lei divina que rege o casamento e das obrigações
morais dela decorrentes – não vigorava nos tribunais rabínicos o caráter
duradouro do vínculo conjugal. Contudo, v. Mt 19:3, em que se menciona uma
exceção. 1Co 7:15 talvez contenha outra exceção (v. 1Co 7:12,15).
Mc
10:12
estará
cometendo adultério. No contexto histórico e geográfico, os
pronunciamentos de Jesus confirmava a denúncia corajosa feita por João Batista
e igualmente condenam Herodes Antipas e Herodias.