quarta-feira, 1 de maio de 2013

O som da esperança


Pastor Estevam Fernandes 

Não é exagero afirmar que vivemos a “era” do cansaço. Não só do cansaço, da angústia também. É um mundo de correria. De atropelos. Nosso cotidiano tornou-se taquicardíaco. Está acometido de arritmia. É cada vez mais difícil encontrar um lugar e uma hora para repouso. O ritmo da vida adoeceu a existência; aliás, infernizou-a completamente. As pessoas, quais peregrinos, correm atrás de miragens, que se multiplicam e se repelem constantemente.
Há um sentimento generalizado de frustração em nossos dias. Quanta gente cansada de viver, deserta da vida por não suportar o peso que carrega, especialmente, o da desilusão.
É o cansaço de quem corre a esmo. De quem luta sem nunca derrotar o seu adversário. De quem trabalha sem paga. De quem chora sem consolo. De quem rema sem sair do lugar. De quem cansou de esperar.
Nosso século não sofre apenas de cansaço, padece de angústia também. Em alguns casos, de uma inexplicável angústia. De uma angústia sem causa aparente. Penso até que as pessoas sofrem, não raro, sem saber porquê. Contudo, sofrem! E sofrem tanto mais, quanto menos saberem qual a razão.
Recordo-me agora, da expressão angustiante do salmista Davi, quando interrogou a si mesmo: "Porque estais abatida oh minha alma e porque te perturbas dentro de mim?" (Sal 42:05). É a projeção da dor de quem já nem consegue mais saber o porquê de sua angústia. Esse tipo de frustração tem o poder de destruir nossa fortaleza interior.
O mal estar em nossos dias provém menos de males fisiológicos, do que de perturbações psicológicas. As pessoas sofrem muito mais da alma do que do corpo.
Prova disso é o crescimento, cada vez maior, do consumo de tranqüilizantes; e a procura crescente pela auto-ajuda, esoterismo, pelo orientalismo, como remédios para o corpo cansado e a alma sofrida. “A alma adoece e o corpo padece”, diz o dito popular. Jesus Cristo, o terapeuta da esperança, tem uma mensagem dirigida aos cansados: 
“Vinde a Mim e Eu vos aliviarei”. Como então? Tomando sobre si as nossas dores e carregando e, Ele mesmo, os nossos fardos. Ou, carregando junto conosco. Dispondo seus ombros à carga que nos aflige. Chorando as nossas lágrimas e sentindo a nossa dor. Aos cansados e angustiados por causa da arritmia moderna, o melhor remédio não é desertar da vida, mas voltar-se para Deus, a fonte da vida. Ele renova nossas forças e sussurra em nossos ouvidos os sons da esperança: “Vinde a Mim e Eu vos aliviarei”. 



terça-feira, 30 de abril de 2013

C. S. Lewis – Amor real


Extraído do livro: Um ano com C. S. Lewis – Ed. Ultimato
Original do livro: Cristianismo Puro e Simples


Alguns escritores usam a palavra caridade para descrever não apenas o amor cristão entre seres humanos, mas também o amor de Deus pelo homem, bem como o amor do homem por Deus. As pessoas muitas vezes ficam preocupadas em relação ao segundo desses dois sentidos, pois somos ordenados a amar a Deus. Elas não conseguem descobrir nenhum sentimento desse tipo em si mesmas. Então o que fazer?

Aja como se amasse. Não fique aí sentado, tentando fabricar sentimentos artificialmente. Pergunte-se a si mesmo: “Se eu tivesse certeza de que amo a Deus, o que eu faria?” Quando você descobrir a resposta vá e faça (a coisa certa).

De uma maneira geral, o amor de Deus por nós é um assunto muito mais seguro para se pensar do que o nosso amor por Ele. Ninguém é capaz de cultivar sentimentos devotos sempre; e, mesmo se fôssemos capazes disso, é preciso considerar que os sentimentos não são a preocupação principal de Deus.

O amor cristão, tanto em relação a Deus quanto em relação ao homem, é uma questão de vontade. Se nós quisermos fazer a vontade d’Ele, teremos que obedecer ao mandamento: “Amarás ao Senhor teu Deus”. Ele nos dará sentimentos de amor.

Nós não somos capazes de criá-los por nós mesmos e não devemos exigí-los por direito. Mas a grande coisa a lembrar é que, embora os nossos sentimentos sejam inconstantes, seu amor por nós não o é. Ele não está cansado dos nossos pecados ou da nossa indiferença; portanto, ele (o amor de Deus) é bastante rígido na sua determinação de que sejamos curados desses pecados, custe o que custar para nós e para ele.

 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

É muito fácil confundir santificação com salvação pelas obras.


A salvação é de graça e pontual. Não há salvação pelas obras (4) -  isso já é liquido e certo!
Mas segundo Efésios 2:10...

 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

... somos de Cristo para as boas obras... Deus as preparou de antemão para que andássemos nelas!!!
 
Precisamos tomar cuidado para não nos escondermos atrás da doutrina da salvação pela graça com o intuito de driblarmos a santificação.
 
A palavra nos convida a:
Não nos conformar com o mundo.... renovar a nossa mente... Romanos 12:2 (1)
Deixar de ser imaturo – I Cor. 13:11 (2)
Ser santos, porque Deus é santo. - 1 Pedro 1:16 (3)
 
A salvação é de graça e depende só de Deus na pessoa de Cristo. (4)
A santificação (transformação) também só pode vir de Deus e é um processo para a vida toda. (5,11)
Mas devemos decidir buscá-la... permitir a ação de Deus em nós...
Almejá-la... (6)
Desejá-la... (7)
Voltar nosso olhar para Deus... (8)
Nosso foco de vida deve ser o Reino de Deus... (9)
Deixar morrer nosso eu para viver a vida de Cristo... (10)
Abandonar das coisas do mundo... (11)
Relacionar-se e amar a Deus e a Cristo, nosso redentor! (12)
 

(1) Romanos 12:2
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus

(2) I Cor. 13:11
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.

(a salvação) Não vem das obras, para que ninguém se glorie; 

E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.
 
Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.
 
Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.

E os purificarei de toda a sua maldade com que pecaram contra mim; e perdoarei todas as suas maldades, com que pecaram e transgrediram contra mim;

Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;

Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.
 
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará.

Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

domingo, 28 de abril de 2013

sábado, 27 de abril de 2013

C.S. Lewis – A corda de segurança


C.S. Lewis – A corda de segurança

Extraído do livro: Um ano com C.S. Lewis – Ed. Ultimato

Original do livro: Peso de Glória

 

Minha tentação mais recorrente é esta: descer àquele mar (se não me engano, São João da Cruz designou Deus de mar) e, chegando lá, jamais mergulhar, nadar ou flutuar, mas só ficar nadando cachorrinho e batendo na água, com todo o cuidado para não ir muito fundo e ficar perto da corda de segurança que me conecta com as coisas temporais.

Isso pode parecer muito diferente das tentações que encontramos no início da vida cristã.

Essa tentação vem mais tarde.

Ela é endereçada àqueles que já admitiram a alegação de que Deus existe.

Nossa tentação é buscar ansiosamente o mínimo aceitável. Todos nós temos caras muito honestas, mas somos pagadores de impostos relutantes.

Fazemos as declarações de maneira honesta, mas temos pavor do aumento dos impostos. Temos todo o cuidado de não pagar mais do que o necessário e esperamos

- com todo o fervor – que, depois de pagarmos, ainda reste o suficiente para sobreviver.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

C. S. Lewis – Uma nova criatura



Extraído do livro – Um ano com C.S. Lewis
Original do livro: Peso de Glória

 
A verdadeira personalidade se encontra mais além – o quanto mais além para a maioria de nós, não me atrevo a dizer. E a chave de acesso a ela não está em nós mesmos.

 A verdadeira personalidade não poderá ser obtida por um desenvolvimento de dentro para fora. Ela será conquistada quando ocuparmos aqueles lugares na estrutura do cosmo eterno para os quais fomos planejados e criados.

 Da mesma forma como uma cor revela a sua verdadeira qualidade quando posta por um artista excelente em seu  espaço previamente escolhido entre outros; ou uma especiaria revela o seu sabor especial quando usada entre os  outros ingredientes apenas onde e quando um bom cozinheiro deseja; ou um cachorro se torna realmente domesticado somente quando acha o seu lugar na casa do seu dono – só nos tornaremos pessoas de verdade quando passarmos pelo sofrimento de termos sido colocados no nosso lugar.

 Somos como mármore à espera de modelagem, como metais à espera de serem despejados no molde. Não há dúvida de que já existem, mesmo no “eu” não regenerado, leves pistas do molde do qual cada um de nós foi concebido, ou do tipo de coluna em que este molde será transformado. Mas acredito que seja um exagero imaginar a salvação de uma alma como se fosse totalmente igual a  transformação de uma semente em flor.

 As próprias palavras: arrependimento, regeneração e novo homem sugerem algo bem diferente. Toda pessoa natural apresenta tendências que precisam ser simplesmente rejeitadas.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

C.S.Lewis – Reflexo da vida divina (Zoe)


Extraído do livro: Um ano com C.S. Lewis – Ed. Ultimato
Original do livro: O Problema do Sofrimento


Essas exigências divinas, que mais parecem vindas de um tirano do que de um ser amoroso, acabam nos guiando para onde desejaríamos ir SE SOUBÉSSEMOS O QUE QUEREMOS.

Ele reivindica o nosso louvor, nossa obediência, nossa reverência. Seria razoável supor que essas coisas poderiam fazer algum bem a ele ou provocar-lhe medo, ou como se diz no canto de Milton, a irreverência humana seria capaz de levar à “diminuição da sua glória”?

Ninguém é capaz de diminuir a glória de Deus recusando-se a louvá-lo, da mesma forma que um lunático não é capaz de impedir o sol de nascer pichando a palavra “escuridão” nas paredes de sua cela.

Mas Deus DESEJA O NOSSO BEM, e o nosso bem é AMÁ-LO (com esse amor de gratidão, próprio das criaturas). E para amá-lo, temos de CONHECÊ-LO; e se o conhecermos, iremos de fato REVERENCIÁ-LO.

Do contrário, daremos provas de que o que estamos tentando amar ainda não é a Deus - por mais que essa pudesse ser a máxima aproximação de Deus que o nosso pensamento e a nossa fantasia conseguissem alcançar.

No entanto, nosso chamado não é só para a reverência e o temor, mas também para REFLETIRMOS A VIDA DIVINA em uma participação de criatura nos atributos divinos que estão muito além dos nossos desejos presentes.
 

Somos convidados a nos “VESTIR DE CRISTO”, a nos tornarmos como Deus. Isto é, não importa se gostamos ou não, Deus pretende nos dar o que necessitamos e não o que supomos desejar agora. Mais uma vez, ficamos embaraçados pela extravagante benevolência, por demasiado amor, e NÃO POR FALTA DELE.