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sábado, 4 de julho de 2015

Mundo interior 206 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 191


9. A Disciplina do Serviço

Jesus declarou: “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós.” Ele rejeitou total e completamente os sistemas de ordem de importância de seu tempo. Como, pois, devia ser entre eles? “Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva... tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir” (Mateus 20:25-28). Portanto, a autoridade espiritual a que Jesus se referia não era uma autoridade que se encontrava numa posição, num título, mas numa toalha.





sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mundo interior 205 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 190

9. A Disciplina do Serviço

O ponto não é que devemos abolir a liderança ou a autoridade. Qualquer sociólogo demonstraria de imediato a impossibilidade de tal tarefa. Mesmo entre Jesus e os discípulos vêem-se facilmente a liderança e a autoridade. O importante é que Jesus redefiniu completamente a liderança e a
autoridade.
Jesus nunca ensinou que todos tinham igual autoridade. Na verdade, ele tinha muito que dizer sobre autoridade espiritual autêntica e deixou claro que muitos não a possuíam. Mas a autoridade da qual Jesus falou não é aquela em que o indivíduo atribui importância a si mesmo. Devemos entender com clareza a natureza radical do que Jesus ensinou sobre este assunto. Ele não estava simplesmente invertendo a “ordem de importância”, como muitos supõem. Ele a estava abolindo. A autoridade da qual ele falou não era uma autoridade para manipular e controlar. Era uma autoridade de função, não de status.



quinta-feira, 2 de julho de 2015

Mundo interior 204 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 189

9. A Disciplina do Serviço

Havendo dado o exemplo de servo perante eles, ele os chamou para o caminho do serviço. “Ora, se eu, sendo o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:14,15). De certo modo, preferiríamos ouvir o chamado de Jesus para negar pai e mãe, casas e terra por amor do evangelho, a ouvir sua ordem para lavar pés. A autonegação radical dá uma sensação de aventura. Se abandonarmos tudo, teremos até mesmo a possibilidade de um glorioso martírio. Mas no serviço somos levados para o mundano, para o ordinário, para o trivial.
Na Disciplina do serviço há também grande liberdade. O serviço capacita-nos para dizer “não!” aos artifícios de promoção e autoridade do mundo. Ele acaba com nossa necessidade (e desejo) de uma “ordem de importância”. Esta expressão é muito significativa, muito reveladora. Como nos assemelhamos a galináceos! No galinheiro não há paz até que fique claro quem é o mais importante, o menos importante, e quem fica entre o poleiro de cima e o de baixo. Um grupo de pessoas não é capaz de estar junto por muito tempo até que fique claramente estabelecida a “ordem de importância”. Podemos vê-lo facilmente em situações tais como onde as pessoas se assentam, como caminham em relação uns com os outros, quem sempre cede quando duas pessoas falam ao mesmo tempo, quem fica atrás quando determinado trabalho precisa ser feito e quem se prontifica a fazê-lo. (Dependendo do trabalho, pode ser um símbolo de senhorio ou um símbolo de servidão.) Essas coisas estão estampadas no rosto da sociedade humana.





quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mundo interior 203 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 188


9. A Disciplina do Serviço

“Aprenda esta lição: se você tem de fazer o trabalho de um profeta, você precisa não de um cetro mas de uma enxada.” - Bernardo de Clairaux
Como a cruz é o símbolo da submissão, assim a toalha é o símbolo do serviço.
Quando Jesus reuniu seus discípulos para a última Ceia, eles debatiam sobre quem era o maior. Este problema não lhes era novo. “Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior” (Lucas 9:46). Sempre que houver problema acerca de quem é o maior, haverá problema acerca de
quem é o menor.
Esse é o ponto crucial da questão para nós, não é mesmo? Muitos de nós sabemos que nunca seremos os maiores; assim também, não sejamos os menores.
Reunidos na festa da Páscoa, os discípulos sabiam perfeitamente que alguém tinha de lavar os pés dos outros. O problema era que só os menores é que lavavam os pés dos outros. De modo que ficaram com os pés empoeirados. Era um ponto tão melindroso que eles nem mesmo iriam falar sobre o assunto. Ninguém desejava ser considerado o menor. Então Jesus tomou uma toalha e uma bacia, redefinindo, assim a grandeza.




terça-feira, 30 de junho de 2015

Mundo interior 202 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 187

Mundo interior 202 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 187
8. A Disciplina da Submissão

As perguntas são legítimas e merecem uma resposta cuidadosa.
A resposta não é simples, mas também não é impossível. A
subordinação renovadora nos mandaria viver em submissão à autoridade humana enquanto esta não se torna destrutiva. Tanto Pedro com Paulo exigiram obediência ao estado pagão porque entenderam o grande bem resultante desta instituição humana.
Tenho verificado que as “autoridades” humanas muitas vezes têm uma grande dose de sabedoria que negligenciamos com perigo para nós.
A isto eu acrescentaria outro motivo por que, no meu entender, devemos submeter-nos às pessoas investidas de autoridade, que não conhecem a autoridade espiritual. Devemos submeter-nos por delicadeza comum e por compaixão pela pessoa que se encontra nessa situação difícil. Tenho profunda empatia pelos indivíduos que se encontram nessa posição, pois eu mesmo já estive aí mais de uma vez. É um pântano frustrante, quase desesperador, estar numa posição de autoridade e saber que nossas raízes não têm profundidade suficiente na vida divina para comandar com autoridade espiritual. Conheço a sensação frenética que faz uma pessoa empertigar-se e esbaforir-se, e imaginar truques inteligentes para induzir as pessoas à obediência. Alguns podem achar fácil rir-se dessas pessoas e desconsiderar sua “autoridade”. Eu não. Choro por elas porque conheço a dor e o sofrimento interiores que devem ser enfrentados para viver-se em tal contradição.
Além do mais, podemos orar por tais pessoas para que sejam cheias de novo poder e autoridade. Podemos, também, tornar-nos seus amigos e ajudá-las no que estiver ao nosso alcance. Se vivermos a vida de cruz perante elas, muito em breve podemos descobrir que estão crescendo em poder espiritual, e nós também.




segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mundo interior 201 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 186


8. A Disciplina da Submissão

Nota Final
Em nosso dia tem surgido um problema especial acerca da submissão no tocante à autoridade. O fenômeno que passo a descrever é algo que tenho observado repetidamente. Quando as pessoas começam a mudar-se para o reino espiritual, vêem que Jesus está ensinado um conceito de autoridade que se opõe inteiramente ao pensamento dos sistemas deste mundo. Elas chegam a compreender que a autoridade não reside em posições ou graus, ou títulos, ou bens, ou qualquer símbolo exterior. O caminho de Cristo segue totalmente em outra direção: o caminho da autoridade espiritual. A autoridade espiritual é ordenada e sustentada por Deus. As instituições humanas podem ou não reconhecer esta autoridade; igualmente, não faz diferença alguma. A autoridade espiritual é marcada tanto por compaixão como por poder. Os que andam no Espírito podem identificá-la imediatamente. Sabem, sem dúvida, que a submissão é devida à palavra que foi dada em autoridade espiritual.
Mas, e aqui está a dificuldade, que dizer às pessoas que estão em “posição de autoridade” mas não possuem autoridade espiritual? Uma vez que Jesus deixou claro que a posição não dá autoridade, deveria esta pessoa ser obedecida? Não é preferível desconsiderar toda autoridade humanamente ordenada e buscar a autoridade espiritual e só a ela submeter-nos? Esses são tipos de questões levantadas por pessoas que sinceramente desejam andar no caminho do Espírito.



domingo, 28 de junho de 2015

Mundo interior 200 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 185


8. A Disciplina da Submissão

O quinto ato de submissão é à comunidade crente, o corpo de Cristo. Se há serviços a completar e tarefas a realizar, examinamo-las de perto para ver se são convites de Deus para a vida de cruz. Não podemos fazer tudo mas podemos fazer algumas coisas. Às vezes são assuntos de natureza organizacional, mas com muita freqüência são oportunidades espontâneas para pequenas tarefas de serventia. Pode, às vezes, tratar-se de chamados para servir a igreja universal e se o ministério for confirmado em nossos corações, podemos submeter-nos a ele com segurança e reverência.
O sexto ato de submissão é aos alquebrados e desprezados. Em toda cultura há “viúvas e órfãos”; isto é, os desamparados, os indefesos (Tiago 1:27). Nossa primeira responsabilidade é estar entre eles. Como Francisco de Assis, no século treze, e Kágawa no século vinte, devemos descobrir meios de verdadeiramente identificar-nos com os oprimidos, os rejeitados. Aí devemos viver a vida de cruz.
O sétimo ato de submissão é ao mundo. Vivemos numa comunidade internacional interdependente. Não podemos viver em isolamento. Nossa responsabilidade ambiental, ou sua ausência, afeta não somente as pessoas ao redor do mundo mas também as gerações que estão por nascer. As nações que padecem fome afetam-nos. Nosso ato de submissão é uma determinação de viver como membro responsável de um mundo cada vez mais irresponsável.




sábado, 27 de junho de 2015

Mundo interior 199 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 184


8. A Disciplina da Submissão

O terceiro ato de submissão é à nossa família. O lema para a família deveria ser: “Não tenha cada um em vista o que é dos outros” (Filipenses 2:4). Livre e graciosamente os membros da família fazem concessão uns aos outros. O ato básico de submissão é o compromisso de ouvir os demais membros da família. Seu corolário é uma disposição de partilhar, que, por si própria, é obra da submissão.
O quarto ato de submissão é a nossos vizinhos e aos que encontramos no curso de nosso viver diário. A vida de simples bondade é vivida diante deles. Se estiverem em necessidade, nós os ajudamos. Executamos pequenos atos de bondade e de urbanidade comum: repartimos nosso alimento, cuidamos de seus filhos quando os pais se ausentam, cortamo-lhes a grama, arranjamos tempo para visitá-los, compartilhamos nossas ferramentas. Nenhuma tarefa é pequena demais, insignificante demais, pois cada uma delas é uma oportunidade de viver em submissão.




sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mundo interior 198 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 183


8. A Disciplina da Submissão

Atos de Submissão
A submissão e o serviço funcionam concomitantemente. Daí que grande parte do fluxo prático da submissão virá no próximo capítulo. Há, contudo, sete atos de submissão que serão comentados brevemente.
O primeiro ato de submissão é ao Deus Trino e Uno. No começo do dia esperamos diante do Pai, do Filho e do Espírito Santo, calmos e submissos. As primeiras palavras de nosso dia formam a oração de Thomas
de Kempis: “Como quiseres; o que quiseres; quando quiseres.” Submetemos o corpo, mente e espírito para propósitos divinos. Semelhantemente, o dia é vivido em atos de submissão entremeados de constantes demonstrações de submissão interior. Visto como as primeiras palavras matutinas são de submissão, assim também as últimas palavras da noite. Entregamos o corpo, mente e espírito nas mãos de Deus para que faça conosco conforme lhe apraz durante a longa escuridão.
O segundo ato de submissão é à Bíblia. Como nos submetemos à Palavra de Deus viva (Jesus), assim nos submetemos à Palavra de Deus escrita (a Bíblia).
Rendemo-nos primeiro para ouvir a Palavra; em segundo lugar para receber a Palavra, e em terceiro lugar para obedecer à Palavra. Buscamos o Espírito, que inspirou as Escrituras, para interpretá-las e aplicá-las à nossa condição. A palavra da Escritura, vivificada pelo Espírito Santo, vive conosco durante dia.



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mundo interior 197 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 182


8. A Disciplina da Submissão

Muitas vezes é extremamente difícil de definir os limites da submissão. Que dizer do parceiro matrimonial que se sente suprimido e impedido de realização pessoal por causa da carreira profissional do cônjuge? É esta uma forma legítima de autonegação ou é destrutiva? Que dizer do professor que é injusto ao dar nota a um aluno? Deve o aluno submeter-se ou deve resistir? Que dizer do empregador que promove seus empregados na base de favoritismo e de interesses pessoais? Que faz o empregado prejudicado, especialmente se a promoção é necessária para o bem de sua família?
Essas são questões extremamente complicadas pelo simples fato de que as relações humanas são complicadas. São questões que não se sujeitam a respostas simplistas. Não existe uma lei de submissão que cubra todas as situações.
Devemos ser cépticos no tocante às leis que pretendem aplicar-se a qualquer circunstância. A ética casuística sempre falha.
Não é fugir ao problema dizer que ao definir os limites da submissão somos lançados em uma profunda dependência do Espírito Santo. Afinal de contas, se tivéssemos um código de leis para cobrir todas as circunstâncias da vida, não necessitaríamos de dependência. O Espírito é um discernidor preciso dos pensamentos e dos intentos do coração, tanto dos outros como dos nossos. Ele será para nós um Mestre e Profeta presente e nos instruirá quanto ao que fazer em cada situação.




quarta-feira, 24 de junho de 2015

Mundo interior 196 - Disciplina – mens. 181


Livro: Celebração da 8. A Disciplina da Submissão

Estavam esses homens em oposição ao seu próprio princípio de autonegação e submissão? Não. Eles simplesmente entenderam que a submissão chega ao extremo de sua peia quando se torna destrutiva. Em verdade, eles exemplificaram a subordinação renovadora recusando-se com mansidão a obedecer a uma ordem destrutiva e dispondo-se a sofrer conseqüências. O pensador alemão Johannes Hamel disse que a subordinação inclui “a possibilidade de uma resistência orientada pelo espírito, de um repúdio apropriado e uma recusa pronta a aceitar o sofrimento neste ou
naquele ponto particular”.
Às vezes é fácil de ver os limites da submissão. Pede-se a uma mãe que bata em seu filho irracionalmente. Pede-se a uma criança que ajude numa prática ilegal.
Pede-se a um cidadão que viole os ditames da Escritura e da consciência por amor ao Estado. Em cada caso, o discípulo recusa, não com arrogância, mas num espírito manso e submisso.



terça-feira, 23 de junho de 2015

Mundo interior 195 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 180


8. A Disciplina da Submissão

Limites da Submissão
Os limites da Disciplina da submissão estão nos pontos em que ela se torna destrutiva. Ela se torna, pois, numa lei do amor conforme ensinada por Jesus e é uma afronta à verdadeira submissão bíblica (Mateus 5, 6, 7 e especialmente 22:37-39).
Pedro chamou os cristãos à submissão radical ao estado quando escreveu:
“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor; quer seja ao rei, como soberano; quer às autoridades...” (1 Pedro 2:13, 14). Não obstante, quando o governo apropriadamente autorizado de seu tempo ordenou à igreja nascente que parasse de proclamar a Cristo, foi Pedro quem respondeu: “Julgai se é justo diante de Deus ouvirmos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Atos 4:19, 20). Em ocasião semelhante, Pedro declarou simplesmente: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).
Entendendo a vida de cruz de Jesus, Paulo disse: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores” (Romanos 13:1). Porém, quando Paulo viu que o Estado estava deixando de cumprir sua função ordenada por Deus de prover justiça para todos, ele admoestou-o com energia e insistiu em que o erro fosse corrigido (Atos 16:37).




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mundo interior 194 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 179


8. A Disciplina da Submissão

Talvez a mais perfeita ilustração de subordinação renovadora seja a pequenina carta a Filemom. Onésimo, escravo fugitivo de Filemom, fez-se cristão. Ele estava regressando voluntariamente para Filemom como parte do que para ele significava ser discípulo de Cristo. Paulo instou com Filemom a que recebesse Onésimo “não já como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão caríssimo” (Filemom 16). John Yoder observa: “Isto significa que Paulo está instruindo a Filemom. Filemom devia subordinar-se a
Onésimo pondo-o em liberdade. Ambos deviam ser mutuamente subordinados 'no temor de Cristo'“ (Efésios 5:21).
As epístolas não consagraram a estrutura social hierárquica existente. Fazendo universal a ordem à subordinação, elas a relativizaram e a minaram. Elas exigiam que os cristãos vivessem como cidadãos de uma nova ordem - e o aspecto mais fundamental desta nova ordem é a subordinação universal.




domingo, 21 de junho de 2015

Mundo interior 193 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 178


8. A Disciplina da Submissão

Quanto mais não seja, o ferrão do ensino atinge é o parceiro dominante.
Precisamos ver, também, que esses imperativos aos maridos, pais e senhores constituem outra forma de autonegação. São apenas outro conjunto de palavras para transmitir a mesma verdade, a saber, que podemos livrar-nos da necessidade de fazer as coisas segundo nosso entender. Se um marido ama a esposa, ele considerará suas necessidades. Ele estará disposto a considerá-la superior a si mesmo. Ele pode cuidar das necessidades de seus filhos e considerá-los superiores a si próprio (Filipenses 2:3).
Na carta aos Efésios, Paulo exorta os servos a viverem num espírito alegre, voluntário, dispostos a servir a seus senhores terrenos. Então exortou os senhores: “De igual modo procedei para com eles” (Efésios 6:9). Tal idéia era incrível aos ouvintes do primeiro século. Os servos eram tidos como propriedade de seus donos, não como seres humanos. Mas Paulo, com autoridade divina, aconselhou os senhores a suprirem as necessidades de seus servos.





sábado, 20 de junho de 2015

Mundo interior 192 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 177


8. A Disciplina da Submissão

Esta forma de endereçar o ensino moral aos subordinados culturais é, também, um contraste radical com a literatura da época. Os estóicos, por
exemplo, dirigiam-se somente à pessoa que se encontrava em elevada posição na ordem social, incentivando-a a fazer um bom trabalho nessa posição que ela já antevia como sua. Mas Paulo falou primeiro às pessoas que sua cultura recomendava não dirigir-se a elas, e chamou-as para a vida de cruz de Jesus.
A seguir, as epístolas se voltam para o parceiro culturalmente dominante no relacionamento e também o chamam para a vida de cruz de Jesus. O imperativo da subordinação é recíproco. “Maridos, amai a vossas esposas. ... Pais, não irriteis os vossos filhos. ... Senhores, tratai aos servos com justiça e com eqüidade...” (Colossenses 3:19-4:1 e textos paralelos). Com toda a certeza se objetará que a ordem para o parceiro dominante não emprega a linguagem da submissão. O que deixamos de ver é o quanto de submissão essas ordens exigiam do parceiro dominante em seu ambiente cultural. Para um marido, pai e senhor do primeiro século obedecer à injunção de Paulo significaria uma dramática diferença em seu comportamento. A esposa, o filho, o servo do primeiro século não teriam necessidade de efetuar a mínima mudança para obedecer à ordem de Paulo.





sexta-feira, 19 de junho de 2015

Mundo interior 191 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 176


8. A Disciplina da Submissão

“Esposas, sede submissas aos próprios maridos. .... Filhos, em tudo obedecei a vossos pais. ... Servos, obedecei em tudo aos vossos senhores...” (Colossenses 3:18-22 e passagens paralelas). O aspecto renovador deste ensino é que as pessoas, às quais a cultura do primeiro século não permitia escolha nenhuma, são consideradas como agentes morais livres.
Paulo deu responsabilidade moral pessoal aos que não tinham nenhum status legal ou moral em sua cultura. Ele faz com que as pessoas proibidas de tomar decisões, tomem decisões.
É surpreendente que Paulo os tenha chamado à subordinação, uma vez que já eram subordinados em virtude de seu lugar na cultura do primeiro século. A única razão significativa para tal ordem era o fato de que, por força da mensagem do evangelho, eles já se viam livres de um status subordinado na sociedade. O evangelho havia constatado todas as cidadanias de segunda classe como eram conhecidas. Paulo insistiu na subordinação voluntária, não por causa da posição deles na vida, mas porque “convém no Senhor” (Colossenses 3:18).



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Mundo interior 190 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 175


8. A Disciplina da Submissão

A Disciplina da submissão tem sido terrivelmente mal interpretada e difamada por aqueles que falham em ver este contexto mais amplo. Submissão é um tema ético que percorre todo o Novo Testamento. É uma postura obrigatória a todos os cristãos: homens e mulheres, pais e filhos, senhores e servos. Ordena-se que vivamos uma vida de submissão porque Jesus viveu uma vida de submissão, e não porque estamos num determinado lugar ou posição na vida. A autonegação é uma postura que se ajusta aos que seguem o Senhor crucificado. Por todo o Haustafel, o único motivo que impele à submissão é o exemplo de Jesus.
Esta singular base lógica para a submissão é estonteante quando a comparamos com outros escritos do primeiro século. Neles havia um constante apelo à submissão porque foi assim que os deuses criaram as coisas; era uma estação na vida do homem. Nenhum escritor do Novo Testamento apela para a submissão nessa base. O ensino é revolucionário. Eles ignoraram por completo todos os costumes contemporâneos de sobre-ordenar e subordinar e chamaram a todos a considerar “cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3).
As epístolas chamam à subordinação primeiramente os que, em virtude da própria cultura, já são subordinados.




quarta-feira, 17 de junho de 2015

Mundo interior 189 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 174


8. A Disciplina da Submissão

Subordinação Conforme Ensinada nas Epístolas
O exemplo de Jesus e o chamado para seguir o caminho da cruz em todas as relações humanas formam a base do ensino das epístolas sobre a submissão. O apostolo Paulo baseia o imperativo da igreja de considerar “cada um os outros superiores a si mesmo” na submissão e na autonegação do Senhor por nossa salvação. “A si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Filipenses 2:4-7). O apóstolo Pedro, instruindo sobre a submissão, apelou diretamente para o exemplo de Jesus como motivo dela. “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos... pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:21-23). Como prefácio ao Haustafel Efésio (termo cunhado por Martinho Lutero que significa literalmente “mesa de casa”, daí uma tábua de regra para a família cristã), lemos: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Efésio 5:21). O chamado para que os cristãos vivam a vida de cruz fundamenta-se na vida de cruz do próprio Cristo.



terça-feira, 16 de junho de 2015

Mundo interior 188 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 173


8. A Disciplina da Submissão

É impossível exagerar o caráter renovador da vida e ensino de Jesus neste ponto. Este caráter renovador acabou com todas as reivindicações para posição privilegiada e status. Pôs em vigor toda uma nova ordem de liderança. A vida de cruz de Jesus solapou todas as ordens sociais baseadas no poder e no auto-interesse.
Conforme observei anteriormente, Jesus chamou seus seguidores para viverem a vida de cruz. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34). Ele disse claramente a seus discípulos: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Marcos 9:35).
Quando Jesus imortalizou o princípio da vida de cruz lavando os pés dos discípulos, ele acrescentou: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15).
A vida de cruz é a vida de submissão voluntária. A vida de cruz é a vida de servo livremente aceita.




segunda-feira, 15 de junho de 2015

Mundo interior 187 - Livro: Celebração da Disciplina – mens. 172


8. A Disciplina da Submissão

Subordinação Renovadora Conforme Ensinada por Jesus
O mais radical ensino social de Jesus foi a inversão total que ele fez da noção contemporânea de grandeza. A liderança está em tornar-se servo de todos. O poder se descobre na submissão. O símbolo supremo desta radical condição de servo é a cruz. “[Jesus] a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8). Mas observe isto: Cristo não somente morreu uma morte de cruz, ele viveu uma vida de cruz. O caminho da cruz, o caminho do servo sofredor, foi essencial ao seu ministério. Jesus viveu a vida de cruz em submissão ao próximo. Ele foi o servo de todos. Ele rejeitou de planos os títulos culturais de posição e poder quando disse: “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi. ... Nem vos chameis mestres” (Mateus 23:8-10, Ed. Rev. Cor.). Jesus rompeu os costumes de seu tempo quando sobreviveu à vida de cruz tomando a sério as mulheres e dispondo-se a encontrar-se com as crianças. Ele viveu a vida de cruz quando tomou uma toalha e lavou os pés dos discípulos.
Este Jesus que poderia facilmente ter pedido uma legião de anjos pra
ajudá-lo, preferiu escolher a morte de cruz do Calvário. A vida de Jesus foi a vida de cruz de submissão e serviço. A morte de Jesus foi a morte de cruz da conquista pelo sofrimento.